Historia do Rock Progressivo Italiano

No final dos anos sessenta na Itália além dos clássicos italianos e canções melódicas estava na moda um tipo de música onde covers de músicas já famosas  prevalecia era o “Beat italiano”. Era uma versão italiana do gênero musical Inglês ” Mersey Beat” completamente diferente do fenômeno americano Geração Beat. Na Itália “Beat” eram canções simples e impensadas com harmonias vocais claras com ritmos para dançar, canções em sua forma revolucionária inspiradas pelos Beatles, Rolling Stones, Yardbirds, Animals e The Hollies. Para se inspirar significava produzir covers, canções vindas do estrangeiro para fazer novas peças. Muitas bandas de rock progressivo italiano começaram sua carreira como “bandas beat italianas” embora às vezes com nomes diferentes como por exemplo: Le Orme, Premiata Forneria Marconi (I Quelli), Banco del Mutuo Soccorso, New Trolls, Delirium (I Sagittari), I Giganti, Metamorfosi (Frammenti), Il Balletto di Bronzo e muitos outros. “A música pop” naquele momento na Itália foi totalmente separada da “música culta”. Não havia “música moderna” nas escolas e a formação dos músicos costumava ter orientação clássica . Ivano Fossati cantor e instrumentista do Delirium disse: “nos anos sessenta havia apenas os “assassinos” com as guitarras eléctricas e os que estudaram no Conservatório. Dois mundos irreconciliáveis”. Em seguida os porta-estandartes dos novos sons do rock progressivo vieram da Grã-Bretanha ( King Crimson, Yes, Emerson Lake & Palmer, Genesis, Gentle Giant e Van Der Graaf Generator) mostrando uma nova  possibilidade do rock ser misturado com música clássica na produção de álbuns cheios de significado, o rock progressivo é a idéia de uma música culta para um povo de culto.

Franz Di Cioccio baterista do Premiata Forneria Marconi disse: Não há uma data específica que marca o início da primeira onda do rock progressivo italiano nos anos setenta. As influências musicais foram provenientes da Inglaterra um país que tradicionalmente sempre espalhou sementes importantes para o desenvolvimento da música enquanto que os americanos sempre mostraram mais habilidades em buscar a “vêia comercial”. No entanto os críticos costumam afirmar que o início do “Italian prog” veio com o lançamento de “Collage” o álbum do Le Orme na primavera de 1971. Toni Pagliuca o tecladista do Le Orme disse:  Queríamos colocar algumas improvisações entre as partes de canto e tivemos que fazer as nossas mentes trabalharem sobre o estilo a seguir … Depois do festival da ilha de Wight ficou claro para todos nós que não podíamos continuar a tocar as músicas habituais com versos e refrões. O album do Le Orme teve um sucesso extraordinário e inesperado e as bandas imediatamente os seguiram com outros álbuns no mesmo estilo como Premiata Forneria Marconi com “Storia di un Minuto”, New Trolls com “Concerto Grosso per i New Trolls”, Delírium com ” Dolce acqua “e Banco del Mutuo Soccorso com o álbum homônimo. Vittorio Nocenzi o tecladista do Banco del Mutuo Soccorso disse: o projeto BMS ‘voltou à vida quando eu tinha apenas dezoito anos com a primeira line-up e a vontade de encontrar uma ponte entre a “geração beat” e a necessidade de uma nova síntese musical nos caminhos da música clássica onde eu já tinha andado.

A Era de Ouro do Rock Progressivo italiano estava surgindo. Gianni Leone, o tecladista e cantor do Il Balletto di Bronzo comentou:  Na Itália eles começaram a falar de rock progressivo durante um festival pop em Novate perto de Milão. Lembro-me da reunião com o Banco del Mutuo Soccorso, Osanna , PFM, Travel, Idea Nuova, todas as bandas mais importantes desse período estavam lá. Foi logo após o verão de 1971. A Rádio (RAI) transmitiu o “Per voi giovani” (Para vocês, rapazes). O “airplay” da rádio foi muito importante para a difusão da música progressiva. Naquela época o rádio era a mídia básica para se ouvir música nova.  Naquela época haviam alguns tipos de música que não tinham qualquer divulgação e tudo o que se tinha era apenas uma transmissão no ar apenas uma vez por semana. Me senti como o último dos moicanos enquanto estava lá para ouvir todas as notas, que ouro, que líquido dourado. Foi a única maneira de defender-nos dos italianos melódicos que usam o radio para se pronunciar sobre a cena musical. Não havia mais nada. Os rádios são usados para tocar música muito comercial. Então você não tinha outra escolha senão ajustar seu rádio para as freqüências de rádios estrangeiras como a Rádio Luxemburgo  esperar  a tarde chegar quando você sabia que “Per voi giovani” ou algum outro programa esporádico iria tocar este tipo de música.

De 1972 a 1975 quase todo mundo na Itália parecia ser apreciador de música progressiva. Quase todas as bandas desse período estavam fazendo algo no estilo prog até mesmo as bandas que não estavam envolvidas na cena prog (por exemplo Nomadi e Pooh) e até mesmo alguns cantores e compositores como Francesco Guccini e Fabrizio De André tiveram álbuns lançados apresentando um pouco de arranjos progressivos. Mas quais são as características do rock progressivo italiano em comparação ao rock progressivo de outros países? Franco Mussida guitarrista do Premiata Forneria Marconi disse:  Progressivo é basicamente uma mistura de três elementos: a música, a improvisação inspirada pelo jazz e à composição em estilo clássico. Este coquetel é interpretado de maneiras diferentes em cada país: na Inglaterra por exemplo temos as influências de rock, musica celta e blues prevalecem. Na Itália temos de lidar com a nossa tradição clássica: o melodramma, Respighi, Puccini, Mascagni, como também todos os clássicos contemporâneos. É nesse legado na minha opinião que a especificidade do Rock Progressivo italiano está oculto. Gianni Leone disse:  Nesse período, nós italianos tivemos que lutar contra a parede da melodia italiana. Nós do Il Balletto di Bronzo fomos viver em Nápoles e nós tivemos que suportar sobre os nossos ombros uma pesada pedra até mesmo da cultura napolitana e a música napolitana. Tivemos que enfrentar essa tradição,  tivemos que lutar contra as convenções e nos recusamos a ser integrados. Os Novos Sons não haviam chegado ainda não havia música para os jovens, não havia nada, você tinha que inventar e construir o seu espaço. Talvez esse foi esse o motivo principal que desencadeou tal força criativa.  Aldo Tagliapietra, o baixista e vocalista do Le Orme comentou:  Prog era praticamente um tipo de música que veio com as formas de música culta e que foi tocada por músicos com uma sólida formação clássica e um certificado de Conservatório em seus bolsos mas com cabelos longos, tambores , instrumentos eletrônicos e paredes de amplificadores. Naquela época eles preferiram chamá-lo de “Pop” que é o nome encurtado para “Popular” com o significado difuso e famosos diferente do significado que o “Pop” tem hoje (sinônimo de algo a meio caminho entre música, dança e músicas melodicas).

No entanto estaria me limitando a considerar características específicas da cena Italianprog apenas mencionando as influências musicais e as alquimias da mistura diferente entre rock, música clássica, jazz, folclore italiano e assim por diante. Dentro dos álbuns desse período você poderá encontrar as tentativas de misturar música com poesia, literatura, política e critica social. Algumas vezes os resultados foram excelentes outras vezes apenas confusos e pretensiosos. Ivano Fossati comentou:  Foi a tendência daqueles anos: a complicar tudo o que era simples e que poderia ter sido ainda mais simples. Os álbuns da época eram estranhos, contorcidos e complexos, seguindo os modelos ingleses, do King Crimson acima de tudo. Dentro das faixas de um álbum você pode muitas vezes encontrar fragmentos de compositores clássicos como Scarlatti, Bach, Vivaldi ou Corelli. Os álbuns costumavam ter estruturas complexas e geralmente eles estavam muito longe do “easy listening”. A melodia italiana era muitas vezes usada para cair fora nas partes de canto enquanto que nas letras  você poderia encontrar um pouco de tudo, Wolf  Biermann com passagens dos Evangelhos, a partir da filosofia de Nietzsche para a poesia de Ludovico Ariosto. Ivano Fossati comentou:  Nós adoramos dar significados ocultos a tudo e estamos habituados a fazê-lo em toda sinceridade não só para plagiar outras bandas. Os álbuns dos anos setenta eram muito ricos em idéias embora nem todas as idéias foram boas porque o “grupo” foi considerado como um ginásio onde todos tinham o direito de treinar. O clima político daqueles anos contribuiu muito para fortalecer esse conceito. O grupo era uma instituição democrática cada membro poderia trazer uma idéia e pedir aos outros para desenvolvê-la. Havia muita inexperiência e ingenuidade mas também um pouco de pretensão devido ao entusiasmo em ter a chance de gravar e lançar um álbum. Não havia planos, é isso. É diferente de hoje onde você demonstra o seu conhecimento apenas para atingir o público.

No início dos anos setenta havia muitos festivais na Itália. Eles foram organizados com o mesmo espírito como os pioneiros com meios limitados tentando imitar festivais como os de Woodstock ou da Ilha de Wight. Estas festas permitiram que os músicos das bandas italianas crescecem a cada troca de outras idéias. O público começara a conhecer as novas bandas dessa maneira e as novas tendências iam surgindo. As pessoas que costumavam ir para os shows estavam muito interessadas e “ativas” (por vezes demasiadamente “ativas”!). Beppe Crovella o tecladista do Arti & Mestieri declarou:  Nos anos setenta tivemos a idéia básica nascida espontaneamente de que éramos um “bloco grande”. Todo mundo era como em um comboio na estrada, literalmente, mas também figurativamente no sentido de um movimento criativo, positivo e em perene mudança com uma certa cumplicidade entre todos os elementos previamente indicados. Os artistas usavam isso para criar mantendo em sua mente o mundo em torno deles e do público não bastava ir para as performances para “assistir” aos concertos. Eles costumavam se sentir como uma parte dos acontecimentos não apenas como espectadores passivos. Os jornalistas e as rádios estavam indo todos na mesma direção e houve uma compacidade significativa. Donald violinista do Quella Vecchia Locanda comentou:  Foi um período exaltante. Houve muita criatividade estamos habituados a compartilhar novas idéias, fomos espalhando as sementes de um novo gênero de música. Nos concertos mais importantes de todas as bandas estavamos juntos não havia senso de competição mas um senso de cooperação. Claudio Rocchi baixista do Stormy Six tambem cantor e compositor ligado ao movimento prog comentou:  Naqueles anos não havia apenas uma música progressiva mas havia também uma tensão progressiva da vida, da sociedade, do sistema, de relações que fizeram com que a temporada fosse compartilhada por milhares de meninos e meninas em um movimento para acompanhar os festivais … Naqueles anos os sinais costumavam vir não como uma forma cultural ou musical, mas como uma nova forma de vida, como um esquema de referência, como um paradigma existencial. De 1971 a 1977 na Itália um grande número de álbuns foram lançados no estilo progressivo muito mais do que o mercado pôde absorver. Então as bandas não puderam sobreviver por muito tempo em uma cena musical onde era também quase impossível ganhar dinheiro com os shows por causa da falta de profissionalismo de muitos gestores e por causa de problemas com a “segurança pública”. É por isso que muitos grupos se desfizeram após o lançamento de apenas um ou dois álbuns e  é a razão para tantos “one-shots”  na cena Italianprog.

No início dos anos setenta a sociedade italiana estava passando por um período de profunda crise e turbulência socio-politica. Desde 1968 os estudantes se manifestavam e greves de trabalhadores dos sindicatos e motins foram se tornando mais e mais violentos. “A Itália foi envenenado pela intolerância. A violência conformista e maciça da ala esquerda,  a força dos estudantes e trabalhadores foi contra balanceada pela violência das minorias fascistas que se tornaram exaltadas ao paroxismo. “As formas violentas de ação se tornaram mais e mais brutais especialmente nas lutas físicas entre a parte radical da ala esquerda e a parte radical da direita determinando a criação por ambas as partes da ordem de serviços de segurança com treinamento militar e crescente autonomia das instâncias políticas dos movimentos que eram seus pontos de referência. O resultado foi uma espiral crescente de recíprocos atos violentos com um crescente número de emboscadas e violência muitas vezes levando a conseqüências fatais. A escalada dos combates nas ruas entre os extremistas da esquerda e da ala direita e entre ambos e a polícia exacerbou a competição. Alguns extremistas se juntaram e executavam organizações clandestinas. Foi longa e triste a temporada  do terrorismo que marcou todos os anos setenta na Itália causando centenas de mortes a “brutalidade tornou-se um substituto da razão. Nesse meio tempo houve também o surgimento de “crimine comum” a difusão do uso de drogas pesadas entre os jovens, a proliferação de Máfia ‘Ndrangheta e Camorra, alguns escândalos políticos, a crise do sistema econômico agravado pelo aumento do preço da gasolina, as conseqüências da Guerra Fria, das parcelas (true e presumido) dos serviços secretos, os atentados, as matanças e a chamada “Strategia della tensione” a estratégia da tensão …

Eu não acho que este é o melhor lugar onde para tentar explicar “gli anni di Piombo” “os anos de chumbo”, mas é normal que tal atmosfera teve uma profunda influência também sobre o  jovem comprometido com a cena do rock progressivo. Vittorio Nocenzi disse:  Foi uma década peculiar, tão rica, que estaria me limitando em apenas falar de uma coisa só. Eu deveria falar mais propriamente de um mosaico, um quebra-cabeças, um labirinto grande feito de grandes avenidas e vielas estreitas, de horizontes para alcançar executando o que parecia tão perto e de repente estavam escondidos por estarem próximos do nada. Foi um período de grande utopia em geral, incrível, mas não para comemorar de uma forma nostálgica porque o futuro é mais precioso que o passado se você olhar para ele com os olhos encharcados de desejo. Outra coisa é o passado se você olhar para ele como uma lição para aprender, neste caso você tem que mantê-lo em sua mente. Canções foram usadas para refletir os tempos apesar da violência onipresente nas ruas, as letras da cena progressiva italiana nunca são triviais e às vezes a música é tão doce a parecer surreal. Apenas alguns exemplos: (poesia di un Delitto)” de I Giganti um álbum inteiro inspirada por um assassinato da Mafia e “Canto nomade por un prigioniero político” do Banco del Mutuo Soccorso inspirada pela morte de Salvador Allende durante o golpe de 1973 no Chile … Vittorio Nocenzi disse:  Eesses anos que você usou para ficar completamente envolvido no que você estava fazendo sem cálculos de outras naturezas. Eu não sei se isso era verdade para todos mas para nós do BMS era verdade e ainda é hoje. Muitas vezes na música desse período você pode respirar o vento da mudança mas também a necessidade de fugir da realidade. Bem nem todas as letras estavam no mesmo alto nível poético é claro mas de uma forma ou de outra o movimento do rock progressivo italiano era a expressão de um compromisso artístico e social e deu voz a toda uma geração. Nunca foi apenas puro e simples entretenimento. Claudio Canali cantor e flautista do biglietto per l lnferno comentou : Nossas músicas eram o nosso caminho talvez em provincianismo em viver o protesto … Preferiramos perfeitamente a competição contra a sociedade do consumismo, da hipocrisia e do materialismo que estava crescendo no mundo ocidental.

A contraposição política na Itália foi tão forte que a cena musical italiana não pôde deixar de ficar profundamente influenciada por esta atmosfera. A ala esquerda era dominante no campo da música graças à organização de concertos e as ligações entre algumas bandas e os movimentos de protesto dos estudantes. Ir a um concerto nos anos setenta era considerado como sendo um ato político e você tinha que tomar posições precisas e resolutas. Além disso houve a tendência de julgar os artistas não pela qualidade de sua música mas sim com base em critérios ideológicos e as bandas que não foram politicamente envolvidas ou cujo compromisso não foi claro eram freqüentemente atacadas. As bandas mais engajadas e militantes foram: Area, Stormy Six e Osanna. Osanna que inseriu um fragmento do hino comunista “Bandiera rossa” no “Trem Mirror” seu álbum de estréia. Lino Vairetti o tecladista e vocal do Osanna disse: Eramos todos  partidários da ala esquerda, exceto Elio D’Anna que apoiou a ala direita. Enfim Elio não era realmente um militante político que ele concordou em inserir esse hino no álbum desde que nossos fãs gostassem. As letras do Area foram extremamente comprometidas politicamente e também colocaram alguns símbolos revolucionários na capa de seu álbum de estréia a foice e o martelo e uma P38. Demetrio Stratos o vocalista do Area disse a partir de uma antiga entrevista:  eu questiono muitas bandas como PFM. Hoje em dia jogam bombas em Brescia e há ataques a bomba em trens, acho que é bastante estúpido que fassam tal tipo de música como “Dolcissima Maria”, é um absurdo! Nossa música é violenta porque há violência nas ruas. Para muitas pessoas o compromisso político era uma necessidade mas os artistas que não estavam interessados na política tiveram de enfrentar este problema. O PFM por exemplo tentou “surfar” a onda do movimento na Itália e perdeu a chance de alcançar o sucesso no exterior especialmente nos EUA onde eles não entendiam por que eles participaram de um pro concerto  pouco antes do lançamento de seu álbum chocolate kings e de uma turnê agendada nos EUA. Não obstante o compromisso político do PFM nunca foi explícito, Mauro Pagani era o membro que mais tinha contato com o movimento de esquerda e a banda participou de vários festivais organizados pela ala esquerda mas sempre sem uma ligação direta com os grupos extra-parlamentares. Devido a esta indecisão e pela atenção que a banda costumava pagar às estratégias de mercado o PFM não conseguiu muito apoio.

Seria errado no entanto pensar que toda a cena italiana dos anos
setenta foi a expressão de apenas uma parte política. Havia muitas bandas que vagavam com a corrente apenas seguindo a moda. Giuseppe “Baffo” Banfi o tecladista de biglietto per l’ Inferno comentou:  Acima de tudo estavamos interessados em tocar a nossa música. Esses anos foram os anos de protesto, nos festivais pop havia uma impressão de esquerda e estamos habituados a essa respiração. Mas não nos sentimos particularmente envolvidos em uma base política. Outras bandas preferiam manter-se neutras e sofriam críticas ferozes como o Le Orme. Toni Pagliuca comentou: Nós nunca professamos nenhuma fé política. Nunca me envolvi com qualquer partido político embora soubéssemos que os artistas italianos costumavam ter uma preferência para a ala esquerda e estávamos proximos das mesmas necessidades. Por exemplo, no nosso álbum “Contrappunti” na canção “Maggio” observamos que Cristo e Marx estiveram de alguma forma no mesmo nível. Nas músicas que usamos para lidar com a prostituição e o aborto me lembro que eu fui acusado de “moralismo”. Hoje eu continuo satisfeito porque atualmente está faltando qualquer sentido de moralidade. Ficamos muito moralista de fato e eu ainda estou orgulhoso disso. Claudio Simonetti o tecladista do Goblin disse:  Lembro-me  que aqueles anos foram fortemente marcado por questões políticas, por todos os efeitos após 1968 embora eu nunca estivesse interessado na política por razões éticas. Muitos artistas usaram a política para promover os seus trabalhos e achei isso muito preocupante. Eu nunca tive uma tendência política. Os músicos não devem ser como todos os outros e não devem ser “empurrados” por políticos.

De qualquer forma os artistas que não tomaram uma posição para receber duras críticas pelos militantes e mesmo assim foram penalizados como no caso de Il Volo, uma banda que colaborou com o cantor e compositor Lucio Battisti e o letrista Mogol que foram acusados de apoiarem a ala direita (embora isso não fosse verdade). Alberto Radius o guitarrista do Fórmula 3 e Volo Il comentou:  Os críticos nesse período foram fortemente influenciados por ideologias políticas: Bertoncelli, Massarini Giaccio eram todos excelentes críticos mas militantes. Segundo eles Mogol era um fascista e Lucio usado para fazer a saudação romana assim eles eram constantemente criticados. E depois tinham de expiar sua culpa mais grave de acordo com os críticos militantes da ala esquerda: eles se tornaram bilionários. As coisas foram ainda piores para o Museo Rosenbach uma banda que foi abertamente acusada de fascismo e praticamente forçada a deixar a cena por causa da capa de seu álbum  “Zaratustra” e por causa de suas letras inspiradas no filósofo Friederich Nietzsche. Alberto Moreno o baixista do Museo Rosenbach comentou:  Os anos setenta foram extremamente politizados mas estas questões foram o próprio negócio dos membros individuais da banda. O Museo Rosenbach como grupo foi utilizado para seguir apenas um caminho musical. Estávamos cientes do compromisso dos partidarios esquerdistas, nunca pensamos em contrapontos e em compromisso com a direita … O rosto de Mussolini na capa do álbum foi uma escolha do designer de arte. As referências a Nietzsche eram uma parte importante da nossa mensagem. Na capa do álbum original nós tentamos mostrar que não se deve interpretar Nietzsche como um dos inspiradores do nazismo como se costumava fazer naqueles anos. Nós costumávamos ler o filósofo de uma maneira mais “suave” sem quaisquer interpretações forçadas. Infelizmente nossa explicação não foi compreendida e percebemos que as imagens são mais importantes que palavras. Admito que o negro da capa e o busto de Mussolini não nos ajudou.

Como eu disse antes o Rock Progressivo italiano foi uma das vozes de toda uma geração, não só dos jovens que faziam parte dos movimentos políticos da ala esquerda italiana mas foi apreciado e praticado também pelos jovens da ala direita embora com mais dificuldades. Marcello Vento baterista do Alberomotore e del Lazio Canzoniere:  Uma vez chamaram-nos para tocar em Turim assim que chegamos percebemos que as bandeiras no palco eram de uma cor diferente do que as que usamos para tocar. Foi um festival organizado pela “Fronte della Gioventù” (um movimento de direita) então nos voltamos para trás e fomos para Roma. Eles adoraram nossa música mas costumavam ser exigentes e intransigentes ao mesmo tempo. Na verdade haviam também bandas com tendências políticas de direita como Janus ou Compagnia La dell’Anello mas eles não obteram qualquer impacto comercial em tudo e eles tiveram que operar em condições quase “clandestinas”. Mario Bortoluzzi o vocal de La Compagnia dell’Anello disse:  Em 1974 fomos apanhados pelo desejo irreprimível de pegar uma guitarra nas mãos e cantar a vida do nosso povo que diariamente resistiu à “violência vermelha” nas escolas, nas ruas e nos locais de trabalho. Ninguém costumava cantar para os excluídos: o fizemos com meios inexistentes mas com raiva e alegria. Grande parte dos músicos eram como agora comprometidos com a ala esquerda. Eles foram empurrados pelas etiquetas. Tudo o que precisavamos era de um gravador, uma cave, onde a ensaiar e gravar nossas músicas e o produto foi imediatamente distribuídos por uma rede semi clandestina composta por amigos e amigos de amigos. Nosso objetivo era (e ainda é hoje) além de todas as possibilidades de uso comercial do produto dando voz a um sentimento comum para a alma de um mundo que de outra forma seria viver sem alguém expressar na música suas esperanças e desejos, ideais e sonhos. No começo os meios técnicos foram bastante pobres apesar de terem sido apoiados por um entusiasmo incrível e contagiante. À medida que  o profissionalismo aumentava e a disponibilidade de uma melhora  a qualidade dos produtos da música alternativa aumentava. A necessidade de expressar uma visão espiritual da vida no momento do testemunho puro e simples. Desde então La Compagnia dell’Anello (e muitas outras bandas do movimento musical da asa direita) começou a se tornar algo que você pode ouvir também fora do “gueto”. Conforme o tempo passava os novos membros estavam com musicalidade sólida ligada à formação original … Nosso trabalho é apoiado por três gerações de amigos que continuam a cantar as nossas músicas em toda a Itália e tudo isso sem passar na televisão.

Uma das características da cena musical italiana dos anos setenta infelizmente não seduzia a todos, consistia na delicada situação da segurança pública em shows de rock. Gritando “Riprendiamoci la musica” (Vamos dar a volta a música) grupos de pessoas exaltadas (gritando “autoriduttori”) para reivindicar o direito de assistir a concertos de rock sem pagar o bilhete de entrada. Eles acabavam constantemente em conflito e luta contra os gestores que organizavam os shows e com a polícia. “A situação explodiu finalmente no 05 de junho de 1971 no” Velodromo Vigorelli “no Milan. Naquela noite o Led Zeppelin estava tocando lá mas o principal  de isso  acontecer foi que houve a ruptura entre parte do “público” e a polícia… A tensão aumentou dramaticamente em 1973. Uma espiral de violência envolveu shows de rock durante dois anos. Por um lado milhares de jovens contra os gerentes do outro lado os policiais. Em 17 de março em Bolonha manifestantes acaboram  ateando fogo ao “Palasport” onde um show do Jethro Tull havia sido organizado. Em 1974 a visita do Soft Machine foi marcada por graves distúrbios em Reggio Emilia e em Nápoles. Os motins continuaram forçando o gerente a desistir depois de uma “guerrilha urbana” autêntica em 02 de abril. O ato final  havia sido tocado um ano mais tarde durante um concerto de Lou Reed em Roma organizado pelo gerente David Zard, a batalha entre extremistas e policiais se alastrou até 2 da manhã.

Havia problemas em quase todos os concertos não só para aqueles das bandas mais importantes e por esta razão as performances ao vivo das bandas italianas não eram muito rentáveis (e muitas vezes perigoso). Lino Vairetti comentou: Em Casale Monferrato em 1972 fomos assediados por um grupo desenfreado e competidor que gritava “Queremos música de graça” nos atacaram e os funcionários da organização chamando-os de fascistas empunhando cabos de madeira e ferro desencadeando uma ação violenta contra nós e nosso carro. Tinham como alvo Elio que poderia ter morrido mas felizmente escapou … Em 1978 durante a turnê do Suddance quase todos os nossos concertos foram cancelados. Por causa do seqüestro de Aldo Moro, havia muitos pontos de checagem nas estradas de todo o país que era controlada muitas vezes pela polícia. Rodolfo Maltese o guitarrista do Banco del Mutuo Soccorso comentou:  No “Palasprt” de Nápoles um dos nossos técnicos foi ferido e houve um início de confronto físico entre nós e o público. Entre o público havia falanges que não tinham qualquer motivo mas utilizaram isso para só para criar problemas em cada concerto … Alguns começaram a não alugar teatros devido ao risco de motins e danos. Corrado Rustici guitarrista de Cervello e Nova comentou:  Eles usaram para atacar você, se você se atrevesse a pedir dinheiro, eu me lembro que uma vez me tranquei no meu Volkswagen van tentando abrigo de algumas pessoas exaltadas. Eu era um estudante em uma escola de arte em Nápoles na  Academia de Belle Arti juntamente com outros músicos. De vez em quando alguns grupos de direita costumavam vir e direcionados aos rapazes com cabelos longos como eu e nos atacavam. Da escola para shows onde eu geralmente encontrava pessoas da ala esquerda que agiam da mesma forma exigindo música de graça … Eu não gosto da atmosfera que você poderia encontrar na Itália naquele período, aquilo não tinha nada para compartilhar com a música e eu acho que as pessoas que amavam a música começaram a se sentir fartos dos tumultos habituais e dos combates. Você não tinha escolha senão tomasse partido como o Area.

Na verdade ninguém foi isento de críticas e problemas nem mesmo bandas como Área e GFP ou singer-songwriters comprometidos com a ala esquerda como: Eugenio Finardi, Francesco Guccini ou Francesco De Gregori. Patrizio Fariselli o tecladista do Área comentou:  Alguém espalhou a estranha idéia de que a música pertencia a todos e por esta razão deve ser de graça. As pessoas que fizeram da música o seu trabalho de acordo com esta idéia tem que tocar sem qualquer remuneração por isso o suposto direito à alegria e diversão de uma vida de arte e amor … Quem ousou contribuir significativamente para a nossa sobrevivência era o PCI (Partido Comunista Italiano) com os festivais da UNITA. Sem isso seria o fim. Nos concertos houve muitas vezes entre o público aqueles que queriam pular do palco para improvisar discursos políticos sobre os temas mais díspares. Mesmo na ala esquerda havia sempre alguém “mais à esquerda” que ousou contestar e em 1976 uma grande quantidade de pessoas começaram a se sentir cansadas. Em 02 de abril de 1976 no “Palalido” em Milão após o concerto do cantor e compositor comprometido com a asa esquerda Francesco De Gregori, algumas pessoas exaltadas chegaram ao ponto de entrar nos bastidores e levaram o artista a voltar para o palco para julgá-lo porque “ele não era suficientemente ativo na ala esquerda”. Então em junho durante o último festival de Parco Lambro em Milão todas as contradições dos movimentos de protesto explodiram levando a atos de violência sem rumo desperdiçando o que deveria ter sido apenas uma festa para a juventude cheia de música e alegria. A temporada de rock progressivo na Itália foi chegando ao fim. Para muitas bandas essa atmosfera de violência iminente durante os shows foi um dos principais motivos para desistir de sua experiência musical. Este é o caso por exemplo de De De Lind e Metamorfosi. Eddy Lorigiola o baixista de De De Lind disse:  Fizemos as nossas mentes por unanimidade. Havia muitas razões na base desta decisão mas dois eram os mais importantes. O primeiro foi o roubo de todos os nossos instrumentos o segundo foi um ataque contra nós no final de um concerto quando nós encontramos a nossa van completamente destruida. Olhamos um para o outro nos olhos e nós concordamos que a única solução seria parar. Davide “Jimmy” Spitaleri e Enrico Olivieri, respectivamente vocalista e tecladista de Metamorfosi disseram:  Havia muitas razões para a nossa decisão … Houve problemas pessoais, problemas de orçamento, mas acima de tudo estávamos no final da temporada mágica de concertos dos anos setenta … Acima de tudo a crise dos concertos, porque para nós aquilo era a nossa vida. Tudo somado, após o lançamento de um álbum o que você tem que fazer? Ficar em casa só esperando? Você tem que continuar a tocar, crescer como músico. A impossibilidade de regulares apresentações ao vivo foi uma causa importante do declínio do movimento progressivo italiano uma vez que o dinheiro vindo de concertos e álbuns não era suficiente para uma carreira profissional.

Algo estava mudando e a Idade de Ouro do Rock progressivo italiano estava em declínio mas é difícil dizer exatamente quando tudo acabou. Quais foram as razões desta “inversão de tendências”? Vittorio Nocenzi disse:   Eu estou preocupado, os principais motivos foram os loops eletrônicos e uma nova profissão. O advento do D.J. para atuar como artistas pois antes eles eram apenas programadores de som. Isso aconteceu exatamente em 1977. Na minha opnião o nosso melhor disco foi um álbum intencionalmente contra a corrente e não bem-sucedido em tudo. Dois anos de trabalho quase desapareceram, embora eu me lembre de alguns shows maravilhosos em Verona e Milan. Esse foi o pior momento para este gênero de música provavelmente porque o “inconsciente coletivo” se lembrou do estado de medo causada pelo terrorismo de ambas as alas extremas. As letras e as músicas eram como o sal nas feridas ainda demasiado frescas. Desde então a música começou a se tornar apenas puro entretenimento e o interesse do público acompanhou apenas o compromisso dos singer-songwriters que abandonaram as bandas. De fato para os gestores era mais simples e mais barato organizar shows com cantores e compositores que costumavam realizar shows apenas com uma guitarra acústica e voz. No entanto na Itália não foi o punk que causou a queda do rock progressivo como na Grã-Bretanha. Franz Di Cioccio comentou:  Não, o fim do progressivo não veio do punk. O Punk não é senão outra corrente musical que surgiu. O fim do rock progressivo é uma involução no traje social onde a música foi considerada novamente apenas como um produto para consumir rapidamente. Gostos tinham mudado e agora o progressivo é novamente uma música com o seu próprio público mais ou menos como o jazz. Muitas graças para alguns grandes artistas quee crescem no gosto do público. Álbuns progressivos eram complexos e longo prazo e costumava  ser nessessario muitas audições para ser apreciados, hoje em dia com o aumento das estações de rádio as coisas mudaram. Rádios livres começaram a se espalhar na década de setenta  e tornaram-se muito importantes na década de oitenta e têm levado a uma forma mais curta de música que pode ser proposta e absorvida de forma mais rápida. O punk é um tipo de música com um germe diferente de rebeldia que o progressivo, apesar de tudo cada geração tem sua própria maneira de se comunicar. A forma musical do punk não levou ao fim do progressivo na italia.

Muitos artistas abandonaram o rock progressivo para sobreviver no mundo da música migrando para gêneros mais comerciais ou para colocar a sua experiência ao serviço de outros artistas (por exemplo, Corrado Rustici tornou-se o produtor de alguns álbuns muito bem sucedidos de Zucchero enquanto Michele Zarrillo o guitarrista e cantor de Semiramis e Rovescio Il della Medaglia tornou-se um cantor de sucessos melódicos). Alguém voltou-se para a música disco como Alan Sorrenti, outros tentaram sofisticados álbuns pop como Matia Bazar uma banda que surgiu das cinzas do Museo Rosenbach e Jet. Giancarlo Golzi baterista do Museo Rosenbach e Bazar Matia disse:  Como foi que chegamos a desviar do rock progressivo do Museo Rosenbach para o pop de Matia Bazar? Foi uma escolha quase obrigatoria. Graças ao progressivo tocamos tudo o que queríamos: muitos de nós tinhamos praticamente passado toda a adolescência em um porão para ensaiar para melhorar a musicalidade tentando absorver a grande lição que veio da Grã-Bretanha nesse período. De repente percebemos que estávamos imitando coisas que não pertenciam a nós e sentimos a necessidade de criar algo original. Algum sucesso chegou a produzir filhos para uma série de desenhos animados vindos do Japão,  Vince Tempera (tecladista do Il Volo) e Tavolazzi Ares (baixista do Área). Vince Tempera comentou:  Começamos a trabalhar com base em uma pesquisa de mercado tentando liberar uma música easy listening para adultos e crianças. Lançamos Ufo Robot e foi incrivelmente bem sucedido atingindo os gráficos de primeira linha. Quanto aos líderes de bandas do movimento progressivo; em 1979 PFM fez uma turnê muito bem sucedida com o cantor e compositor Fabrizio De André reorganizando suas canções (um álbum maravilhoso ao vivo que foi lançado após a tour) em seguida tentou produzir um tipo de música mais direta e mais simples. Le Orme foi completamente contra a corrente e em 1979 lançou “Florian” um álbum acústico maravilhoso inspirado pela música clássica mas depois que eles tiveram de aceitar um compromisso com o pop que levou a resultados decepcionantes. Banco del Mutuo Soccorso encurtou seu nome para Banco e tentou tocar um pop de qualidade original. Vittorio Nocenzi disse:  Foi muito difícil para mim voltar a partir das composições complexas que foram inspiradas pela música clássica do século XIX (mini-suite) para a síntese de curtas canções pop. Por exemplo para mim escrever “Paolo Pa” foi mais difícil do que escrever “Il giardino del mago”. No entanto teria sido mais fácil para nós continuarmos a andar pelos caminhos antigos que enfrentar este novo desafio tentando escrever canções pop com um excelente padrão de qualidade. Talvez o único protagonista da “era progressista” que foi capaz de atualizar o seu estilo e chegar a excelentes resultados comerciais nos anos oitenta sem renegar completamente o progressivo  foi Franco Battiato que lançou alguns álbuns muito originais como “La voce del padrone” e “Fisiognomica”. Enfim em toda a Itália na década de oitenta foi definitivamente um deserto para a música progressiva um gênero que parecia quase desaparecer em um buraco negro nesse período.

Durante os anos oitenta na Itália não havia nenhuma música  comparável ao neo-prog de bandas como Marillion, Pallas ou IQ na Grã-Bretanha. Na Itália durante os anos oitenta O progressivo era escasso, um tipo de música para alguns fãs mais rígidos, quase que completamente ignorado pela mídia e gravadoras. As poucas bandas que tentaram manter vivo esse gênero como o Nuova Era tiveram muitos problemas para realizar seus projetos e arriscaram a ficar afogados em um mar de indiferença. Walter Pini o tecladista do Nuova Era comentou: Para mim o projeto de Nuova Era era é um desafio contra todas as pessoas que denegriram a década de setenta o prog e sons vintage. Na década de oitenta eles cuspiam na sua cara se você se atrevesse a dizer que você havia gostado do wha wha de uma guitarra ou de Hammond. Então algumas pessoas se desculparam quando esses sons voltaram a moda. Eu odeio aqueles que pensam que tudo sabem e acham que o vem depois é melhor do que o que veio antes. O Blues foi tocado para todas as idades da mesma maneira e ninguém diz que está ultrapassado e obsoleto enquanto muitos “poços de aprendizagem” usam a emitir sentenças e avaliações sobre o prog! Nossos sonhos eram como os sonhos de todo mundo:  ter sucesso e ganhar dinheiro tocando a nossa música, mas sabíamos que o nosso gênero era errado para isso. Teríamos nos sentido gratificados apenas por tocar em todo o mundo para os verdadeiros amantes do prog . Mas apesar de tudo posso dizer que as coisas não correram assim tão mau. Não nos tornamos estrelas mas mesmo assim tivemos um pouco de satisfação em tocar sem compromisso a música que amamos.

Algo mudou no início dos anos noventa e surgiu um novo interesse por este gênero de música engajada e complexa. Haviam algumas bandas novas que tentaram lidar com os temas e as sonoridades da era progressiva enquanto algumas bandas “históricas” rejeitavam a ferrugem do seu passado glorioso. Em 1994 eu me lembro de assistir um desempenho maravilhoso do Le Orme em promoção do seu álbum “Antologia 1970-1980” … O teatro estava lotado por um público entusiasmado. Após três horas de música os membros da banda estavam felizes assinando autógrafos e explicando a seus fãs que nunca quiseram parar, que sempre quiseram tocar suas músicas mas por muitos anos eles não conseguiram encontrar qualquer atenção por parte do mídia. O rock progressivo  de repente parecia nascer de novo. Desde então aconteram outros concertos e festivais, eu me lembro do “Progressive Festival Testaccio Village” em Roma em 1996 com Le Orme, BMS, Osanna, Metamorfosi, Balletto di Bronzo Il e uma banda nova chamada Divae … Felizmente muitos festivais e concertos prog se seguiram na Itália desde então com um bom sucesso. Bandas novas e velhas, os”dinossauros” ainda são capazes de lançar álbuns excelentes misturando novos sons e novas inspirações com ecos que vêm do passado, eles ainda são capazes de comunicar emoções realizando concertos com elevados padrões de qualidade. Atualmente o Rock Progressivo Italiano não é um fenômeno de massa e de gerações mas grandes fãs em todo o país parecem ser numerosos e capazes de mantê-lo vivo. Felizmente não há mais tumultos nos concertos nem ataques aos músicos e isso é um bom ponto em comparação com a década de setenta. Beppe Crovella disse: Também por muitas razões históricas há desilusão demais e menos entusiasmo e acima de tudo você tem a idéia de menos de um movimento cultural. Há menos atendimento coletivo e em comparação com o passado há mais dispersão e uma espécie de isolamento. No entanto existe uma criatividade contínua. Esta base efetiva e visível está olhando com confiança para o futuro. Na minha opinião há uma grande vitalidade e muitas coisas que ainda estão desaparecidas estão apenas esperando para florescer novamente. Hoje é mais simples porque há mais maneiras e meios de comunicação do que no passado mas por outro lado há um enorme risco de dispersão e isolamento.

Embora a cena presente do progressivo italiano esteja viva a mídia e os negócios de música parecem ignorar todas as suas potencialidades. Vittorio Nocenzi comentou:  Eles estão se esforçando para homologar e globalizar as preferências do público. Bem, talvez estas palavras são um pouco abusadas mas é a mais absoluta verdade, não há apenas um modelo que o negócio da música tenta impor a todos usando meios e estratégias de mercado não deixando muito espaço para algo que soe diferente. Ouso dizer que eles tentam evitar a diversidade como uma doença e conseqüentemente é muito difícil para produtores de gêneros de música diferente do mainstream. É o mesmo para o jazz por exemplo porque é uma linguagem musical que precisa de um conhecimento mais profundo e é mais difícil para o ouvinte absorver por isso geralmente é excluído pela maioria. No entanto também alguns fãs progressistas mereceriam ser colocados no Index porque eles são muito “nostálgicos” e vinculados exclusivamente às bandas da era de ouro enquanto eles não prestam atenção suficiente nas novas bandas como disseram os membros do Taproban comentando em uma entrevista:  É o mundo do rock progressivo que é indiferente para com ele. Então se há um bom trabalho para promove-los muitas vezes se perde na indiferença do movimento progressista em si! Rádio e TV são completamente indiferentes, alguns gerentes e produtores são apenas canalhas que se oferecem para os contratos de novas bandas que se assemelham a cordas penduradas, há pessoas que se prendem a compra de todos os re-lançamentos de Genesis ou Yes ignorando completamente grandes bandas como Finisterre, Moongarden, La Maschera di Cera, La Fonderia e muitos outros. Há coisas que parecem não ser capazes de mudança enquanto o tempo passa e a cena da vai se enchendo de pessoas desdenhosas. Para dizer a verdade vivemos nas fronteiras deste mundo, nós gostamos de fechar-nos em nosso estúdio e continuamos a tocar apenas pelo prazer de produzir música … como deveria ser sempre!

Eduardo Piloto

Entrevista com Enrico Rosa do Campo di Marte

No início eu gostaria de agradecer a você ter pelo tempo de responder a esta entrevista. Bem eu gostaria de saber o que no passado foi o “Campo Di Marte” e o que é hoje? Há alguma história interessante sobre a banda e houve algo de especial na escolha do nome “Campo di Marte”?

Enrico Rosa: O antigo “Campo di Marte” como o novo foi feito por Mauro Sarti e eu  Enrico Rosa.
Mauro encontrou os músicos em Florença (Itália), e eu tive que escrever a música assim começou, eu não era de Florença e não conhecia ninguém na cidade além de Mauro. Tivemos Mauro na bateria e em algumas partes da flauta e outro baterista Marcovecchio Califfi, no baixo o americano Richard Ursillo (Paul Richard na capa), Alfredo Barducci que tocou órgão / piano e flauta e eu nas guitarras acústica e elétrica, piano e mellotron por isso usamos dois tambores, enquanto Mauro tinha que tocar flauta tinhamos outro baterista em trabalho.
Eu escrevi e era uma tarefa interessante porque naquela época eu estava na maior onda ouvindo Jazz e Musica Clássica, conhecia Miles Davis, John Coltraine, Herbie Hancock e assim por diante mas eu não sabia nada sobre Rock Progressivo e rock em geral apenas absorvia o que eu podia ouvir passando por algum lugar, de qualquer  forma foi bom porque sem modelos a seguir eu escrevi a música para os instrumentos ao meu modo, tudo feito de uma forma a ser executada ao vivo combinando a acústica e os sons elétricos em uma espécie de forma Sinfonica.
O nome “Campo di Marte” é um link para o campo de batalha e o absurdo da guerra, a capa do disco mostra soldados mercenários que pedem dinheiro por seus serviços e ostentam a sua força em esfaquear-se com qualquer tipo de arma.
O novo “Campo di Marte” é: Mauro Sarti na bateria, Maurilio Rossi no Baixo, um músico muito criativo da cena prog desde os anos 70 de grande coração, Alexandr Matin Sass no piano / teclados, um grande pianista da Estónia que trabalhou junto comigo em outros projetos, Eva Rosa minha esposa que é  treinada em clássico  ela adora rock e jazz, com o “Campo di Marte” ela brinca com gravadores diferentes e um controlador de vento digital ( flauta / instrumentos de sopro sax digital com as mesmas possibilidades e um sintetizador), eu toco  guitarra acústica, elétrica e escrevo a música da mesma maneira como nos velhos tempos, escrevendo para a história e pela música  usando todas as cores do elétrico e acústico em um coração de baixo e bateria.

Muitos ouvintes do Rock Progressivo do Japão e da América do Sul, tornaram-se amantes da música do Campo di Marte. E na Itália? Vocá tem alguma idéia a respeito? Quantas cópias do primeiro trabalho foram vendidas na Itália e também ao redor do mundo?

Enrico Rosa: Eu realmente não sei o numero de copias vendidas da antiga gravação na Itália eu não tive a oportunidade de acompanhar a cena prog na Itália porque eu me mudei para a Dinamarca em 1974 e eu ainda estou aqui, eu tenho vivido mais aqui desde então.
O mesmo sobre o resto do mundo, mas parece que tanto ao registro e a reedição do CD venderam muito mas infelizmente não fui capaz de ver o quanto ainda.

Quem teve a idéia inicial de reunir novamente os músicos do “Campo Di Marte” e qual foi o principal motivo do retorno da banda?

Enrico Rosa: Eu percebi que o meu antigo trabalho foi derrubado por um monte de juros e graças a Augusto Croce do site prog italiano eu comecei a pensar  quão bom é o que eu senti quando eu toquei prog e como incompleta tem sido minha vida desde então, porque rock progressivo é a arte, a música que me dá a possibilidade de tocar sem qualquer restrição de ser o músico que eu sou, em um pesado rock eletrico bem como em um clima acústico mais clássico ou um rock mais jazz sentindo colorir esta grande música que o rock progressivo é.
Então eu encontrei o meu velho amigo Mauro que também se perdeu de mim e da música e agora podemos tocar juntos e foi isso, tivemos que nascer de novo.

Podemos ouvir lotes de diferentes estilos musicais em músicas da banda, de rock progressivo,ao jazz, e até mesmo música clássica. Qual é a sua opinião sobre o estilo musical da banda e podemos considerar “Campo di Marte”, uma banda de rock progressivo ainda hoje?

Enrico Rosa: “Campo di Marte” é Rock Progressivo, arte é para saltar do coração da música e do músico que está sempre em busca de si mesmo e da linguagem universal.
A música não tem limites, eu costumo dizer aos meus alunos: a música não tem limites, mas os músicos tem.

Lendo alguns comentários em torno da internet encontrei alguém que escreveu: “Campo di Marte foi um dos mais obscuros entre as bandas italianas, mesmo outras bandas como PFM, Le Orme, Banco del Mutuo Soccorso e etc. Vocá acredita em “sorte”? Por que o”Campo di Marte” não teve a mesma “sorte” que outras bandas?

Enrico Rosa: A banda não teve a chance de estar na estrada após o registro ser liberado, como alguém poderia conhecer a nossa música, a banda desapareceu após a gravação.
Por falar nisso antes de sair de Itália fui convidado por Francesco do Banco para se juntar a sua banda mas fiquei decepcionado com minha terra natal  eu queria o expatriado é por isso que eu virei a oferta para baixo.

Tenho certeza de que há músicas novas já  esperando para ser gravadas. Se assim for o que podemos esperar do “Campo di Marte” nos dias de hoje e também para o futuro próximo?

Enrico Rosa: No novo CD haverá músicas novas  eu tenho muito material pronto para um álbum completamente novo com o espírito do “Campo di Marte”.
A banda está de volta e vamos estar em qualquer concerto onde as pessoas gostariam de experimentar o “Campo di Marte”, daremos o nosso melhor e com todo nosso coração estaremos no espírito da música.

Conte-nos alguma coisa sobre os músicos da banda nova, com uma atenção especial para Eva Rosa. Vocá poderia introduzir Eva aos nossos leitores?

Enrico Rosa: ela é uma grande músicista sem limites que estudou entre os maiores do mundo e ela é a razão pela qual eu poderia encontrar a força para iniciar a banda de novo e com ela durante os últimos trás anos em que fomos viver juntos explorei o crossover de rock e do clássico e do jazz com o nosso projeto  onde tocamos em um concerto a viajar no tempo através da música do século 12 até hoje alcançando grande contraste de músicas totalmente acústicos até melodias progressivas com um gravador de baixo e uma guitarra de rock pesado.
Então ela é perfeita para o espírito do “Campo di Marte”.

Um novo CD duplo incluindo uma performance ao vivo de 1972 no Espaço Eletronico (Firenze-Itália) e da performance ao vivo de 2003 será lançado em outubro de 2003.
Gostaria de comentar algo interessante sobre esse trabalho e o que podem os fãs de rock progressivo esperar sobre isso?

Enrico Rosa: A gravação ao vivo no Espaço Eletronico foi em 72 como uma demonstração de que a UA tinha mostrado interesse em liberar o meu trabalho a gravação foi feita no Espaço Electrónico em Florença onde estivemos para realizar nosso concerto e tocamos as músicas que mais tarde gravamos, algumas delas de uma maneira diferente e com letras em ingles, alguns temas se tornonaram instrumentais mais tarde.
A gravação foi copiada em um registro de teste (em italiano chamado “Lacca”) que eu tenho nesse momento e que eu havia deixado com meu bom e velho amigo Nello na Itália há 30 anos, ele manteve-o bem e quando eu perguntei se ele ainda o tinha ele disse: “claro e está aqui esperando por voce”! A gravação foi chamada de Concerto Zero e por isso vai levar esse nome.
A nova gravação é uma sessão de estúdio ao vivo feita um dia depois do Festival On the Road de Pelago (12 de julho de 2003) onde infelizmente foi impossível fazer uma gravação com um estúdio móvel.
Então, nós gravamos tudo em um exame como um concerto ao vivo no La Terrazza (Ronta-Firenze) onde o estúdio móvel de “Larione 10” com Sergio Salaorni mudou-se para fazer a gravação.
Fizemos uma sessão de estúdio ao vivo para manter a autenticidade da música para a música que voce vai ouvir, vai ser real e irá incluir algumas músicas antigas reorganizadas para uma performance ao vivo e mais, tráz novos títulos.

Recentemente o PFM, Le Orme, e outras bandas famosas italianas voltaram aos palcos com fantásticas performances. Qual é a sua principal expectativa em estar  de volta aos palcos após 30 anos?

Enrico Rosa: Eu gostaria de dar ao público o melhor desempenho a cada momento.

O Campo di Marte pela primeira vez juntos após 30 anos realizou um concerto em 12 de Julho de 2003 “. Existem diferenças entre tocar ao vivo nos anos 70 e tocar ao vivo para uma nova geração de ouvintes de rock progressivo nos dias atuais? Para voce e para todos os membros da banda, há um mesmo sentimento do passado?

Enrico Rosa:  é uma sensação ótima me sinto ainda melhor do que em 72-73. O público é fantástico e de 18 anos para 60. Eu não acredito que algo como isso poderia ser feito antes. Os jovens me escrevem perguntando sobre o som da guitarra e dando graças  por lhes ter dado uma grande experiáncia musical, uma nova estação de rádio quer tocar o antigo e os futuros trabalhos do “Campo di Marte” isso é fantástico.

Eu gostaria de ouvir a sua opinião sobre a cena atual do progressivo de todo o mundo onde muitas bandas novas estão aparecendo. Como voce ve a cena do Rock progressivo hoje em relação ao mesmo movimento 30 anos mais tarde?

Enrico Rosa: Eu tenho medo que eu não possa dar uma resposta, como um músico eu trabalho muito com música todos os dias e não consigo ter tempo para ouvir tanto como voce ou o público, assim não seria correto ser  dado em geral.
Eu poderia dizer algo sobre uma paz de música apresentada a mim e que irei ouvir com atenção e depois dizer o que sinto, mas não dizer algo sobre uma quantidade muito grande de gravaçoes que eu não ouvi ou ouvi,  assim eu estaria sendo superficial.

Gostaria de dizer alguma coisa especial para os fãs de rock progressivo da América do Sul e também a todos os amigos Prog ao redor do mundo?

Enrico Rosa: Muito obrigado por manter a música viva o “Campo di Marte” nunca voltaria a existir se voces não o descobrissem.
Um grande obrigado a todos da América Latina que com seu grande coração podem sentir o significado mais profundo do rock progressivo do “Campo di Marte”.

Eduardo Piloto

Robert Fripp

Robert Fripp nasceu em 16 de maio de 1946 em Wimborne Minster Dorset Inglaterra é produtor, compositor e guitarrista mais conhecido como guitarrista e lider permanente do King Crimson seu trabalho se estende por cinco décadas cobrindo uma variedade de estilos musicais.

Fripp começou a tocar guitarra com 11 anos de idade ele diz que era surdo mas  com senso de ritmo, ele comentou sobre como lidar com tal obstáculo dizendo: ” a música para ser ouvida deseja que às vezes seja necessario personagens improváveis para dar voz a ela”

As noções básicas de guitarra foram ensinadas pelo professor Don, foi quando ele desenvolveu a técnica “cross-collection” que mais tarde iria se tornar uma tecnologia chave que é ensinada em “Guitar Craft”.

Em 1984 Fripp começou a usar um novo padrão de afinação que também seria oficial em sua Guitar Craft.

Fripp é canhoto mas toca guitarra com a mão direita.

Giles Giles and FrippSeu primeiro trabalho profissional começou em 1967 quando ele respondeu ao anúncio de um organista para cantar em uma banda formada pelo baixista Peter Giles e o baterista Michael Giles, embora sendo o cantor e organista Fripp conseguiu liderar dois singles e um álbum o joyful madness Giles Giles e Fripp.

Fripp juntamente com o baterista Michael Giles fizeram planos para a formação do King Crimson em 1968 com Greg Lake, Peter Sinfield e Ian McDonald seu primeiro álbum in the court of Crimson king foi lançado no final de 1969 para mistas revisões críticas por causa de diferenças musicais entre Giles e McDonald e o King Crimson se separou logo após o lançamento do primeiro álbum, Giles e McDonald naquele momento acreditavam que o King Crimson era seu até então porém Robert Fripp foi o único membro da banda que passou por vários line-ups antes de Fripp dissolver o grupo pela primeira vez em 1974.

Em uma fase menos ativa para o King Crimson Fripp trabalhou em uma série de projetos paralelos vindo a trabalhar com Keith Tippett (e outros que apareceram em registros do King Crimson) durante esse tempo ele também trabalhou com Van der Graaf Generator em seu álbum de1970, em to the ende he Aar and 1971, he got legless and 1972, evening star and evening star 1974 de Brian Eno, esses dois ultimos álbuns caracterizando experimentos com novas tecnicas incluindo um sistema de delay de fita com bobina dupla da Revox que viria a desempenhar um papel central na obra de Fripp, este sistema ficou conhecido como “Frippertronics” Fripp e Eno também tocaram juntos em vários shows na Europa em 1975.

Fripp passou algum tempo afastado da indústria da música na década de 1970 mais tarde enquanto ele cultivava um interesse no ensino de Gurdjieff por J.G. Bennett (estudos que mais tarde se tornariam influentes em seu trabalho com o Guitar Craft) Ele voltou para o trabalho musical como guitarrista de estúdio no primeiro álbum solo de Peter Gabriel em 1976, Fripp excursionou com Gabriel para apoiar o álbum mas permaneceu nos bastidores e usou o pseudônimo de “Dusty Rhodes”.

Em 1977 Fripp recebeu um telefonema de Eno para ele tabalhar em um álbum de David Bowie o “Heroes”, Fripp concordou em tocar guitarra no álbum um trabalho que iniciou uma série de colaborações com outros músicos, Fripp logo contribuiu com sua arte musical na produção do segundo álbum de Peter Gabriel e colaborou com Daryl Hall em spiritual songs, durante este período Fripp começou a trabalhar em material solo com contribuições da poetisa e compositora Joanna Mr. Walton e vários outros músicos incluindo Gabriel, Eno e Peter Hammill Place, Jerry Marotta, Phil Collins, Tony Levin e Terre Roche. Este material eventualmente se tornou seu primeiro álbum solo lançado em 1979 seguido pela turnê Frippertronics naquele ano, enquanto ele estava morando em Nova York Fripp contribuiu para álbuns e apresentações ao vivo de Blondie e Talking Heads e produziu o primeiro disco da Roche que continha muito da guitarra característica de Fripp. Uma segunda reunião criativa com David Bowie produziu distintas partes de guitarra em Scary Monsters (e Super Creeps) em1980.

Tambem colabororou com o baixista Busta Jones, o baterista Paul Duskin e o vocalista David Byrne ( Byrne é creditado como Absalm el Habib) enquanto ele estava à altura do que ele chamou de “divisão da turnê da nova onda de banda instrumental “sob o nome de League of Gentlemen bassist Sara Lee e o tecladista Barry Andrews Trummilate Toobad Johnny (mais tarde substituído por Kevin Wilkinson) o LOG excursionou por todo o ano de 1980.

No início de 1990 Fripp contribuiu com sua guitarra em sound for life forms (1994) pela The Future Sound of London & Cydonia (lançado em 2001),o The Orb FFWD  com os seus membros também trabalharam juntamente com Fripp e Brian Eno co-escrevendo e colocando a guitarra em duas faixas em um projeto de CD-ROM  em 1994, Eno criou os aspectos visuais do disco (efeitos de feedback de vídeo), foi uma grande decepção quando ficou pronto e Fripp lamentou sua participação, durante este período Fripp também contribuiu para álbuns de No-Man (a banda Porcupine Tree de Steven Wilson) e em (Boca Flower X 1994 e 1996 respectivamente).

1981 acontece a formação do King Crimson junto com Adrian Belew, Bill Bruford e  Tony Levin com um album com o nome de “discipline”, o grupo sentiu que sua música conquistou o publico com este “novo método” depois de lançar três álbuns mas se separaram em 1984.

Durante este período, Fripp fez dois registros com seu velho amigo Andy Summers , Fripp e Summers tocaram todos os instrumentos porem os albums foram mais dominados por Summers que produziu os álbums.

Em 1982 Fripp produziu e tocou com The Roches que eram semelhantes ao seu hóspede anterior David Bowie Scary Monsters (que também impulsionou Pete Townshend e Chuck Hammer para a guitarra sustain) no estilo de guitarra “skysaw” que caracterizou este período da pedagogia Fripp.

Foi oferecido a Fripp um cargo de professor na Sociedade Americana para a Educação Contínua (ASCE) em Claymont Court West Virginia em 1984, ele havia se envolvido com a ASCE desde 1978 e acabou servindo em sua diretoria e foi considerada a idéia de Frip para ensinar guitarra. Seu curso Guitar Craft começou em 1985 um dos resultados foi o grupo “The League of Crafty Guitarists” que lançou vários álbuns em 1986, ele participou da primeira de duas colaborações com os seus membros Hustru Toyah Willcox California Guitar Trio, são ex-membros os  Federal Crafty Guitarrists e Gitbox Rebellion inclui vários ex-alunos da California Guitar Trio que também excursionaram com o King Crimson.

Fripp retornou ao estudio de gravação em 1994 com uma versão digital atualizada do Frippertronics que em vez de fitas para criar os “laços” de Fripp lançou uma série de itens que ele chamou de “Soundscapes”. Nas gravações soundscapes o funcionamento interno da música não é tão claramente postas a nu como são.

As colaborações de Fripp com David Sylvian tem um pouco de sua guitarra mais exuberante, Fripp contribuiu com vinte minutos na canção “Steel Cathedrals” com sua alquimia, um registo do álbum de 1985.

Em algum momento no final de 1991 Fripp pediu a Sylvian para se tornar vocalista para reformar o King Crimson mas Sylvian recusou o convite porem sugeriu uma possível relação entre os dois mais tarde, que se tornaria em uma turnê no Japão e na Itália na primavera de 1992. Em julho de 1993 Sylvian e Fripp logo convidaram Trey Gunn para entrar no King Crimson e quase Jerry Marotta se tornou membro na bateria quando o grupo excursionou para promover o futuro CD o membro Pat Mastelotto assumiu o lugar de baterista e o documento ao vivo foi lançado em 1994.

No final de 1994 o King Crimson foi para sua quinta encarnação acrescentando Trey Gunn e Pat Mastelotto  em uma configuração conhecida como “double trio.”

De 1997 a 1999 e novamente em 2006 a banda King Crimson “frakctalised” em cinco grupos chamados “Projekcts”.

Em 2000 lançaram um álbum de estúdio The Construkction of Light from a sixth flax Eupen of King Crimson (Robert Fripp, Adrian Belew, Trey Gunn e Pat Maste lotto).

Em março de 2004 uma setima line-up foi concebida e Tony Levin retorna para substituir Trey Gunn.

Em 2004 Fripp entra em turnê com Joe Satriani e Steve Vai com o Trio G3.

Robert Fripp trabalhou na Microsoft Studios para gravar  os sons e criar atmosferas no final de 2005 e início de 2006 para o Windows Vista.

Fripp entrou para o Bill Rieflin Slow music improvisation project  com o guitarrista Peter Buck, Fred Chalenor (baixo acústico), Matt Chamberlain (bateria) e Hector Zazou (teclados) este grupo de músicos saiu em turnê na costa oeste dos EUA em maio 2006.

Em outubro de 2006 o Projekct Six (Robert Fripp Adrian Belew) tocaram em locais selecionados na Costa Leste dos EUA abrindo para o Porcupine Tree.

Fripp contribuiu com paisagens sonoras para algumas canções do Porcupine Tree, Fear of a Blank Planet, he is on track, “The road from here”  que são parte do EP “Nil recurring ” que foi lançado em 2007…

Eduardo Piloto

Manfred Mann Earth Band

Manfred Mann Earth Band foi formada em 1971 e sua line-up atual ainda conta com dois dos membros originais dos anos setenta, Manfred Mann nos teclados e Rogers Mick na guitarra e vocais, reproduzindo aos fãs as músicas favoritas ao vivo com facilidade.
Manfred Mann - teenbeat 1967Manfred Mann dirigiu suas tropas através de quatro décadas de mudanças musicais desde os anos sessenta em que Manfred Mann  goza de uma série de nada menos que 18 discos de sucesso incluindo três números um nas paradas do Reino Unido: “The Almighty Quinn”, “Pretty Flamingo “e” Do Wah Diddy Diddy “. Depois disso foi formada com Mike Hugg a Manfred Mann Chapter III uma banda de jazz na qual durante a sua vida curta tem sido descrita por Manfred como uma reação a “fábrica de acertos” do  Manfred Mann. Foi porém com a formação da Earth Band em 1971 que Manfred foi capaz de encontrar a plataforma ideal para a maior parte de sua produção musical desde então.

De 1971 a 1975 a Earth Band produziu seis álbuns, cada um mostrando um crescente grupo de direção e força. Entre estes estava o já clássico ” Solar fire” onde na qual surgiu o top 10 hit “Joybringer”. No entanto foi através dos concertos ao vivo que a  Manfred Mann Earth Band estava construindo uma reputação mundial como uma grande banda de rock com uma base de fãs muito leais. Em 1975 veio uma mudança na formação com um novo homem a frente, Chris Thompson. O primeiro single lançado foi a versão de “Blinded By The Light” de Bruce Springsteen  que alcançou o número um nas paradas americanas da Billboard e foi um enorme sucesso em todo o mundo assim como o álbum que se seguiu,”The Roaring Silence “.

manfred_manns_earth_band_-_watch_Apesar de “The Roaring Silence” ter sido um álbum muito popular em todo o mundo,  foi o álbum seguinte simplesmente chamado de “Watch” que é considerado juntamente com “Solar fire” um grande clássico. Assim como o hit single “Davy On The Road Again”, “California” e “The mighty Quinn” “Watch” apresentaram se como as favoritas ao vivo assim como “Chicago Institute” e a faixa que para muitos para muitos é o hino da banda, “Martha’s Madman” outra canção que ainda  caracteriza os shows ao vivo.

Ao longo dos anos que se seguiram mais álbuns e turnês como “Angel station”, “Chance” e “Somewhere in Afrika” e um álbum ao vivo, “Budapeste”. No final dos anos oitenta Manfred esteve algum tempo fora da Earth Band, mas “Plains Músic” logo surgiu, este é um álbum que em sua maioria  tem melodias norte-americanas e indianas realizadas por Manfred e alguns amigos sul-Africanos onde tambem foi introduzida Noel McCalla vocais, que mais tarde assumiria os vocais para as turnês dos anos 90.

Alguns anos se passaram e a banda trabalhalhou em outro album ” Soft Vengeance ” com Noel e Chris assumindo a responsabilidade conjunta para os vocais. Em 1996 o tão aguardado álbum novo foi liberado e a Manfred Mann Earth Band embarcou em uma extensa turnê européia que os manteve na estrada pelo resto de 96 e parte de 1997. A partir desta turnê muitos dos concertos foram gravados para o álbum definitivo ao vivo “Mann Alive” que foi lançado em 1998. A banda continuou em turnê por toda a Europa tendo passado por países como a Rússia e a Grécia em 2000.

O ano de 2004 assistiu a confusão do intitulado álbum lançado em 2006  essencialmente um álbum solo de Manfred Mann com os membros da Earth Band. E deram continuidade a turnê extensivamente com datas para 2010. Em setembro de 2009 aconteceu a partida de Noel McCalla que foi substituído por Peter Cox anteriormente conhecido por seu trabalho com Go West. Peter Cox deixou a banda em 2011 devido aos seus compromissos alargados com seu grupo Go West. Ele foi substituído por Robert Hart.

ManfredMannsEarthBandPara comemorar o 40 º aniversário do Manfred Mann Earth Band em dezembro de 2011 foi lançada uma caixa impressionante composta por 21 CDs, um livreto de 36 páginas com a história da banda com extensas notas para cada álbum, um livro de 32 páginas de memórias próprias  de Manfred e anedotas, contendo tambem um pôster da banda atual. Os CDs do catálogo foram remasterizados e embalados em  capinhas tipo LP . Contendo inclusive um album chamado Live In Ersingen que é uma gravação completamente nova ao vivo em 22 de Julho de 2011 apresentando o mais recente vocalista da banda Robert Hart e tambem Leftovers  uma compilação de singles e gravações raras ou não disponíveis anteriormente. Uma pequena série de quatro datas no Reino Unido foram anunciadas para Maio de 2012 com Manfred Mann nos teclados, o guitarrista Mick Rogers, Steve Kinch no baixo, Jimmy Copley na bateria e Robert Hart vocais, notável por ser um ex-membro do Bad Company e The Jones Gang.
Maio de 2012 assistiu quatro datas no Reino Unido onde os fãs antigos e novos puderam  ouvir ao vivo muitos dos grandes classicos da banda com grandiosa qualidade…

Eduardo Piloto

Renaissance

Renaissance  albumEm janeiro de 1969 os ex-integrantes do Yardbirds Keith Relf e Jim McCarty organizaram um novo grupo dedicado à experimentação entre rock, folk e formas clássicas. Relf na guitarra e vocais, McCarty na bateria, além do baixista Louis Cennamo, o pianista John Hawken, e a irmã de Relf Jane Relf como vocalista adicional. lançaram um par de álbuns pela Elektra (EUA) e Island (UK) o primeiro intitulado simplesmente “Renaissance” sendo produzido pelo colega ex-Yardbird Paul Samwell-Smith.

A banda começou tocando em maio de 1969 principalmente no Reino Unido mas com incursões ocasionais no exterior incluindo festivais na Bélgica (Amougies em outubro de 1969) e França (“Operação 666” no Olympia em janeiro de 1970 e Le Bourget em março de 1970 ambos em Paris). Em fevereiro de 1970 eles embarcaram em uma turnê norte-americana não obtendo muito sucesso.

A partir do final da primavera de 1970 a banda original foi gradualmente se dissolvendo. Relf e McCarty decidiram parar de atuar e juntarem-se com Cennamo Coliseu. Hawken organizou uma nova line-up para cumprir as obrigações contratuais e completar o segundo álbum da banda, Illusion, que ainda estava inacabado.
Além de Jane Relf, a nova  banda era formada principalmente por ex-integrantes da banda anterior, Hawken, o guitarrista Michael Dunford, o baixista Neil Korner e o cantor Terry Crowe, além do baterista Terry Slade. Esta formação gravou uma faixa, “Mr Pine” uma composição de Dunford, tocaram em alguns shows durante o verão de 1970. Enquanto isso uma sessão de gravação final reuniu a formação original, Hawken com Don Shin nos teclados produziram a faixa de fechamento do album, “orbits above the dust”. IIlusion  foi lançado na Alemanha em 1971 embora não lançado no Reino Unido até 1976. O álbum marcou o início de uma colaboração do Renassance de longa data com o poeta Betty Thatcher-Newsinger como letrista, ele co-escreveu duas músicas com Relf e McCarty.

Annie HaslamOs dois membros restantes originais sairam no Outono de 1970, Jane Relf foi substituído pelo cantor folk norte-americana “Binky” Anne-Marie Cullom, em seguida John Hawken tambem saiu para se juntar ao Spooky Tooth e o pianista John Tout o substituiu. Essa line-up pôde ser vista executando três músicas (“Kings and Queens”, “Gold Thread” e “Mr. Pine”) em um programa da TV alemã. O plano na época era que Keith Relf e Jim McCarty permaneceriam envolvidos como “membros inadimplentes”, Relf como produtor e McCarty como compositor. Ambos estavam presentes quando a vocalista Annie Haslam passou no teste com sucesso em janeiro de 1971. McCarty viria a escrever músicas para a nova banda mas o envolvimento com Relf seria de curta duração. Dunford logo emergiu como um compositor prolífico, e também continuou a parceria com o escritor Thatcher, que viria a escrever a maioria das letras dos álbuns da banda 1970.

Em 1971 o novo empresario Miles Copeland decidiu reorganizar a banda. Até então Haslam tinha compartilhado  os vocais com Terry Crowe que era o vocalista principal da banda e que saiu e Korner foi substituído por uma sucessão de baixistas, incluindo John Wetton (King Crimson posterior Ásia), Frank Farrell (mais tarde no Supertramp) e Danny McCulloch (ex-The Animals e um ex-colega de banda de Dunford e Crowe em The Plebs) com a inclusão de Jon Camp. Também foi decidido que seria Dunford  que iria concentrar-se em compor e um novo guitarrista, Mick Parsons, foi trazido para o trabalho ao vivo. Em 1972 pouco antes de gravar as sessões para o LP de estréia da nova formação o baterista Terence Sullivan entrou após a troca inicial, Slade foi considerado inadequado na sequência de uma turnê européia. Tragicamente o guitarrista Parsons morreu em um acidente de carro e foi substituído a curto prazo por Rob Hendry. O line-up resultante entrou em estúdio tendo tocado apenas uma dúzia de shows juntos. Prologue foi lançado no final de 1972 EMI Records (UK), composto por Dunford com exceção de duas músicas por McCarty e todas as letras por Thatcher. Francis Monkman da banda Curved Air foi convidado a fazer  sintetização no final da faixa “Rajah Khan”.

Hendry foi substituído na turnê Prologue por Peter, que por sua vez, deixou o grupo pouco antes das sessões para o próximo álbum. Michael Dunford em seguida havia retornado como (guitarrista acústico) completando o que a maioria dos fãs consideram a formação classica e que permaneceram juntos por seis álbuns Renaissance ashes are burningde estúdio. Ashes are Burning foi lançado em 1973.  Andy Powell do Wishbone Ash foi convidado para um solo de guitarra no final da faixa “Ashes are Burning” que se tornou um dos hinos da banda.  O álbum se tornou o primeiro da banda a estourar nas paradas dos EUA onde atingiu o numero 171 na “Billboard 200”. A banda tocou os seus primeiros concertos nos EUA, durante esse período aproveitando o sucesso que fazia particularmente na costa leste que logo resultou em um concerto especial com orquestra na Academia de Nova York de Música em maio de 1974. Logo o Renassance iria se concentrar no mercado dos EUA, já que a imprensa do Reino Unido os havia ignorado.
Com um orçamento maior, o álbum  passou de folk-flavored para um  exuberante som de rock e orquestra. Uma das canções do álbum, “Things I do not understand” é um tributo a Aleksandr Solzhenitsyn, chamada “Mother Rússia”, encerrou o álbum com letra inspirada por seu romance autobiográfico “Um Dia na Vida de Ivan Denisovich”. O LP foi emitido pela primeira vez nos Estados Unidos pela Sire Records em agosto de 1974, onde alcançou a posição numero 94 alguns meses antes do lançamento oficial no Reino Unido, o álbum foi finalmente lançado no Reino Unido em Março de 1975.

Foi logo seguido por Scheherazade and Other Stories  lançado em ambos os lados do Atlântico em Setembro de 1975. O álbum cujo segundo lado foi tomado por um  tom épico em “Song of Scheherazade” baseado nas histórias de “Mil e Uma Noites” alcançou a posição numero 48 nos Estados Unidos.

O álbum duplo ao vivo, Live at Carnegie Hall lançado em 1976. Apesar das críticas que diziam que a maior parte do álbum era pouco mais que seus últimos quatro álbuns de estúdio alcançou a posição numero 55  nos EUA. Por outro lado Parte da crírica refere-se a Ashes are Burning como a faixa-título do segundo álbum do grupo ao invés de seu quarto, sugerindo que a formação com Haslam é uma banda distinta da antiga formação da banda.

Seu seguimento Novella, também trouxe um sucesso modesto nos gráficos dos EUA chegando ao # 46 em 1977.

RenaissanceNa década de 1970 o Renaissance definiu o seu trabalho como folk rock e fusões clássicas, suas músicas incluem citações e alusões de compositores como Alain, Bach, Chopin, Debussy, Giazotto, Jarre, Rachmaninoff, Rimsky-Korsakov, Prokofiev. Especialmente Ashes Are Burning era freqüentemente reproduzida em estações americanas de rádio de rock progressivo como WNEW-FM, WHFS-FM, WMMR-FM, KSHE 95 e WVBR.

Apesar do sucesso comercial ter sido limitado durante este período o Renaissance teve um single de sucesso na Grã-Bretanha com Northern Lights, que chegou ao # 10 durante o verão de 1978. O single foi tirado do álbum A Song for All Seasons (um álbum # 58 nos EUA).

Com a sindicalização dos  músicos de orquestra que se seguiu não era mais viável financeiramente para a banda continuar com o seu tradicional som orquestral. A banda começou a viver seu declinio em 1979 com Azure d’Or que fugiu a proposta com a qual seu publico tanto se familiarizou. Como resultado os fãs começaram a perder o interesse e o  álbum alcançou a posição # 125.

Após a turnê Azure d’Or  John Tout deixou o grupo por motivos pessoais, rapidamente seguido por Terry Sullivan. Camera (1981) e Timeline (1983)  trouxeram ainda mais o Renaissance para o gênero contemporâneo synth pop e que também não rendeu interesse para alimentar um futuro viável para a banda (Câmera foi o último  álbum da banda a “quase funcionar” nas paradas dos EUA onde atingiu # 196 no final de 1981).

Os albuns do Renaissance não estavam disponíveis individualmente em CD durante algum tempo. A Sire lançou uma compilação em duas partes, Tales of 1001 Nights que compilava o período 1972-79, em 1988. Na década de 1990 a maior parte do catálogo apareceu em CD. Em 2006 o Repertório foi re-lançado remasterizado.

Em meados de 1990 Haslam havia lançado um album solo em 1989 e Dunford  estava trabalhando em um musical  com base na história de Sherazade, ambos formaram suas próprias bandas utilizando o nome Renaissance e álbuns lançados com outros line-ups.

ORenaissance foi parcialmente remodelado em 1998 em torno de um núcleo que contava com Haslam, Dunford e Sullivan, além de Tout e vários novos músicos, principalmente Roy Wood e Mickey Simmonds para gravar o CD Tuscany. Em 1999, Haslam, Dunford e Simmonds fizeram um show único no Astoria em Londres . Em 2001, após o lançamento tardio de Tuscany, uma tour completa da banda  foi organizada, composta por um concerto em Londres (mais uma vez no Astoria) e diversas datas no Japão. Essa breve formação da banda  terminou rapidamente.

Terry Sullivan então gravou um álbum chamado South of Winter com um grupo de estúdio e deu-lhe o nome Renaissance, com letra de Betty Thatcher-Newsinger e contribuições dos teclados de John Tout.

Em 20 de setembro de 2008 John Tout fez sua primeira aparição pública  nos EUA após 25 anos com Annie Haslam e Jann Klose band no Teatro Sellersville em1984 na Pensilvânia.

Algum tempo antes do Verão de 2009, John Tout sofreu um ataque cardíaco.

RenaissanceLive!No final de agosto de 2009, Annie Haslam anunciou que ela e Michael Dunford iriam comemorar o 40 º aniversário do Renaissance com uma banda reformada chamada Renaissance  (não incluindo nenhum outro membro do “clássico” line-up mas com músicos da formação de 2001) em uma turnê de concertos.

houve uma turnê realizada no leste da América do Norte e no Japão em 2010, outros concertos tiveram lugar durante o outono de 2011 com Haslam, mas sem nenhum dos ex-colegas de banda.

A banda será a atração principal do intitulado Apocalypse Nearfest em 23 de junho de 2012.

Eduardo Piloto

Le Orme Collage

 Le Orme collageO Le Orme começou em Veneza em 1966 como uma banda “pós beat psicodelica” . Depois de dois álbuns com estilo psicodélico e algumas mudanças line-up em 1971 eles lançaram o que muita gente considera ter sido o primeiro álbum de rock progressivo italiano o “Collage”. O line-up aqui caracteriza Aldo Tagliapietra (vocais, baixo, violão), Antonio Pagliuca (órgão Hammond, piano elétrico) e Michi Dei Rossi (bateria, percussão). No estúdio eles conseguiram a ajuda de um produtor especialista, Gian Piero Reverberi que ajudou a moldar o seu som inovador misturando influências do prog britânico (Emerson Lake & Palmer e acima de tudo Quatermass) com melodia italiana e música clássica. O resultado foi um álbum muito bem sucedido que agora é considerado um marco do rock progressivo italiano.

A faixa-título de abertura é quase um “prog barroco” hino inspirado por Domenico Scarlatti, Sonata em Mi Maior, que começa com uma poderosa onda de órgão logo apoiada por uma “marcha animada” que vai se alterando para um clima mais suave e com um forte sabor clássico. Seções de órgãos e ritmo em seguida voltam para o “grand finale”. É uma faixa magnífica e tornou-se uma espécie de marca registrada da banda.

Um lindo padrão de violão apresenta a próxima faixa, “Era Inverno” que é sobre um amor conturbado entre um jovem e uma prostituta … “Toda noite você se preparar – Sempre linda e sorridente – atriz que não de muda cena – A tristeza da lua – Nas mãos do povo – que possuem falsa alegria  … Eu gostaria de dizer a você – Eu não me importo que as pessoas pensam – Ainda me lembro daquela noite – Era inverno e você estava tremendo – Você estava brilhando sobre a neve – Eu disse: É a primeira vez … “.

A claustrofóbica “Cemento Armato” (concreto armado) é sobre a necessidade de fugir da fumaça e poluição que você encontra nas modernas áreas metropolitanas. Ela começa quase como uma explosão desesperada de dor, apenas  voz e piano … “O concreto armado, a grande cidade – Você pode sentir que a vida está indo embora – Perto de casa você não pode respirar – É sempre escuro, estamos de luto – Há mais “hooters” no ar  que canções de rouxinol – É melhor fugir e nunca mais voltar … “. A longa seção instrumental é complexa, você quase pode sentir a atmosfera opressiva de uma cidade, ocupada pelo nevoeiro. Eventualmente, os fades com tensão ao longe … “Despertar Doce, o sol está comigo – No ar você pode ouvir o som de uma guitarra – A casa está longe – Tudo fundido – Eu não consigo nem me lembrar dos amigos de ontem – concreto reforçado na cidade grande – Você pode sentir que a vida está indo embora … “.

“Sguardo verso il cielo” (Olhar para o céu) é uma das melhores faixas do repertório da banda. É uma canção de esperança cheia de energia positiva, quase uma súplica … “A alegria de cantar, o desejo de sonho – A sensação de alcançar o que você não tem – Aqui vem mais um dia como ontem – Você tem que esperar pela manhã para começar de novo … A força para sorrir, a força para lutar – A culpa de estar vivo e não ser capaz de mudar – Como um galho morto, esquecido – Que tenta em vão brotar uma flor … A máscara de um palhaço no meio de um deserto – Um fogo que se apaga, um olhar para o céu – Um olhar para o céu onde o sol é uma maravilha – Onde nada se torna o mundo – Onde Sua luz brilha … ” .

“Evasione Totale” (avanço Total) é um instrumental longo onde os membros da banda podem mostrar sua musicalidade. Começa baixinho e o ambiente é escuro e espacial depois improvisando um padrão de órgão e linhas de baixo que pulsando trazem de volta um sentido de ordem para o final.

Le Orme“Immagini” (Imagens) é uma peça curta. As letras sugerem imagens evocativas com um toque psicodélico … Tente imaginar um fluxo na lua, um jardim no meio do sol, um cipreste no deserto, gramados violeta, uma estátua em movimento e as pessoas falando por aí … Mas há algo faltando! “Sol Um maravilhoso, um dia maravilhoso – Muitas estrelas na noite – Alguns sorrisos nos lábios, os lábios nos lábios – mas ela não está lá, ela não está lá …”.

“Morte di un fiore” (morte de uma flor) começa com violão e voz, órgão e piano, em seguida, traz um sentimento melancólico elegíaco. A letra descreve a morte de uma jovem prostituta de forma poética … “Eles escreveram que para você a música era mais entre quatro e cinco da manhã – Enquanto a água do riacho corre para o mar – Em uma manhã pálida a última vez que fugiu – E o vento que te beijou foi seu único companheiro … “.

Bem, “Collage” é um grande álbum onde definiu-se o estilo da banda, grande influencia no desenvolvimento do progressivo italiano, um verdadeiro divisor de aguas. Este álbum de excelente sucesso abriu caminho para muitas bandas como Premiata Forneria Marconi, Banco del Mutuo Soccorso e Osanna …

Eduardo Piloto

Roger Dean

Roger DeanRoger Dean, nascido a 31 de agosto de 1944 em Ashford, kent na Inglaterra, tendo passado a maior parte da infância viajando pelo mundo pois seu pai fazia parte da Marinha Britânica retornando a Inglaterra em 1959 após completar o ensino médio estudou na Escola Canteburry de Arte tornando-se Publicitario e Artista.
Mundialmente conhecido a partir do final da década de 60  por trabalhar nas capas mais fantasticas de albuns  principalmente de Rock Progressivo, a primeira capa onde trabalhou foi para uma banda chamada “gun”.
Em 1971 criou a capa do primeiro album da “Osibisa” e no mesmo ano começou a trabalhar nas capas da banda “Yes” onde seu primeiro projeto foi para o album “Fragile”, ele veio a criar o logotipo da banda que viria a aparecer em todos os albuns da banda, desde então vem fazendo as capas do Yes até os dias de hoje tendo inclusive colaborado com seu irmão Martin na  concepção de varios shows da banda.

BeginningsDean inicialmente trabalhava com aquarelas, atualmente em muitas obras utiliza varias tecnicas: tinta, lápis, colagem, esmalte e outras absorveu várias influências mas talvez as maiores  tenham vindo dos antigos pintores chinêses e da literatura de Tolkien.
Flertou inclusive com a arquitetura desenvolvendo o projeto de uma casa completamente concebida em seu estilo inconfundível, a casa parece ter sido esculpida na parte interna de uma colina com grama e plantas crescendo sobre ela não agredindo o visual natural, internamente parece um dos cenarios de Tolkien, a extrutura é toda em fibra de vidro fazendo com que haja isolamento completo do ambiente, nos dias frios mantém o calor e nos dias quentes faz o ambiente fresco, á partir daí surgiram outros incríveis projetos arquitetonicos. Dean também é respeitado por suas obras de caligrafia e disign de logotipos, trabalhou no projeto de apresentação de jogos para video game, tem alguns livros que apresentam a compilação de sua obra, artista completo recentemente influênciou tambem o cinema.

Eduardo Piloto

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